POESIA REUNIDA

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

FORTUNA LITERÁRIA DE SÉRGIO GERÔNIMO


Sobre PROFANAS & AFINS –


Sérgio Gerônimo - brisa do desafio no jorro da inteligência. Briga de termos que buscam suas novas posições. Sensualmente. Protestantemente. Imponentemente impondo novos sentidos aos sensatos sentidos ou não. Fala que a tempestade desordenou e o eco fez música. Letra que se confundiu de tantas visões para reorganizar o cosmos esteticamente. Cosmos feito arte, também pelas portas do Oriente. Combinação inaudita da eternidade do verbo em verso.
 Francisco Igreja, 1990 –  Professor, editor, contista e poeta, aba do livro citado.


 Corpo e alma são uma unidade só, em Sérgio Gerônimo. Um só ímpeto. Um sopro estranho,  criador... Há um frêmito de alma, na própria carnalidade desenfreada. O espírito se une ao corpo e paira sobre o livro de poemas. O ser inteiro vibra, dança diante de nós. E isto é puramente liberdade. Uma festa inquieta.
 Antonio Carlos Villaça, 1990 –  Memorialista, escritor, excerto do Prefácio do livro citado.

  
Perceber-lhe a diferença Sérgio, não foi difícil. Sua vibração é muito forte, seu  campo magnético induz a sensibilidade de quem busca magia, verdade, liberdade. Agora, após a leitura do livro “Profanas & afins”, e a partir dele, vejo que tive o privilégio de conhecer-lhe, Poeta. Poeta que fala com os olhos. Se não pude presenciar o seu recital, quando li “Serei sincero” pude vê-lo com nitidez, mudando a expressão do olhar: “Serei?”
Não tenho condições de fazer críticas ao seu trabalho. Não sei fazer poesia. Não entendo poesia. Sinto-as. Há tempos um poeta brasileiro não me tocava como o fizeram Tagore, na adolescência, Shelley e Walt Whitman, que você citou. Claro que estou deixando Caetano, Gil, Chico na ala dos compositores. “Censura”; “Medo”; “Objetivo atingido”; “(In)saciável”; “Zé Pereira” são destaques, outras foram além: “Dúvida”; “Marca registrada”; “Decisão”; “Salv(e)ador”. Você é capaz de fazer re/nascer. Por isso preciso fazê-lo chegar a pessoas especiais, que nascem e renascem constantemente e o farei. Seu livro será por mim lido e relido. Ficará na cabeceira pois, como geminiana indiscutivelmente mutante, logo-logo outros poemas seus me tocarão com maior intensidade, dependendo da posição dos “grilos” que atuam em mim no “DES-PRE-O-CU-PA-DA-MEN-TE”.
Neste momento, Poeta-terapeuta, você teve pleno sucesso.
Maria Helena Rodrigues de Oliveira – professora, 04/06/1990, Brasília/DF.


Interessantíssimo o livro, “Profanas & Afins” que longe de ‘profanar’ a poesia, tem muita afinidade com o surrealismo, o concretismo e o creacionismo hispano-americano ao mesmo tempo, aliada ao toque pessoal e talentoso de seu autor. Meus parabéns!
Helena Ferreira – professora de Letras, da UFRJ, membro da UBE – União Brasileira de Escritores, 25/06/1990, Rio de Janeiro/RJ, Brasil.


Poesia de explosões verbais, em que todo poema é fortemente oral, mantendo-se de pé a intensa carga de emoção que os reveste, consubstanciada no refrão constante a finalizar a maioria dos poemas: “menino cuidado”. O poeta apresenta igualmente uma boa noção do visual, da especialização das palavras, sendo de notar os poemas intitulados “Objetivo atingido”, “(In)saciável”, “Contradança” e “Corpo  - Profana Afim”.
Fernando Py – poeta, crítico literário, colunista do Diário de Petrópolis. Esta crítica foi publicada na Coluna Leitura, do Diário de Petrópolis, em 24/03/1991, Petrópolis/RJ.


A VIDA É UM PRESENTE
Profanas & afins – o título desse livro parece meio exótico, mas, quando o lemos, entendemos bem o propósito do autor. O homem recebeu a vida e nem se importa com ela. Nas veias do homem correm perigo, insatisfação, ingratidão, servidão, dissidência, dolência, indiferença; se o homem se importasse com a vida, só deixaria passar a felicidade pelo seu interior.
O homem não valoriza a vida que recebeu como presente, não agradece uma só vez, pelo menos, sua existência. Embora consciente de tudo que possa vir a acontecer, o homem prossegue profanando sua vida.
O autor usa muitas figuras de linguagem, o que torna o texto ainda mais interessante. As que mais me chamaram a atenção foram às antíteses: “tranquilidade/intranquila”, e as comparações. Como se não fosse suficiente o recurso (jogo de palavras) empregado pelo autor, ele ainda usou muitos recursos visuais. Seu vocabulário eu o considero um tanto raro.
 Denise Andreotti Dornellas – publicado na coluna COMENTÁRIO DE LEITURA, de Célio Pinheiro, no Jornal A Comarca, pág 11, em 07/07/1991, Araçatuba/SP.


Li o seu livro, em viagem ao sul e de cara, adorei o poema “Contacto” (o qual comentei com o Elmo Gomes — poeta, autor de “O Menino Verde”, que também apreciou muito), achando-o sensualmente agressivo, amoroso, realista e contagiante. Gostei muito do “Afim IV e outros Afins”... Grande parte de seus poemas, eu não consigo captar a mensagem, quer por serem modernos demais ou porque não sei entrar nesse manancial de poesia arquitetônica. Não me é cômodo ter que virar o livro para ler, descobrindo as palavras num quebra-cabeça. Acostumei-me à poesia clássica ou mesmo à moderna, que expressa cristalinamente sua mensagem ou, então, se oculta no enredo das rimas ou na musicalidade da métrica. Talvez eu tenha ficado quadrada no entendimento poético, aceitando o neo-modernismo e o concretismo, apenas, como uma curiosidade, mas algo que foge a minha compreensão. “Menino cuidado”, permita-me usar sua própria expressão para interpretar o seu “Quinto segundo”, muito interessante, até que você termina borrando o quarto com o Tictictictactactac...titica, “nas veias corre a irreverência...” Mas você está de parabéns pelo trabalho, pela ousadia, pela amostragem que faz do seu interior revolto, inquieto, caloroso, original, vibrante e flagrantemente erótico. O produto final de um livro é trabalhoso, sério e só um idealista chega a oferecê-lo ao mundo, que poderá não entendê-lo, porém, fica respingado de poesia, na efervescência da inspiração. Você foi contagiado por esse vírus imbatível da poesia, sua sensibilidade aflora, querendo interpretar a vida em todos os instantes e o faz ao seu modo próprio.
Parabéns pela realização do “Profanas & Afins”, parabéns por cultivar e estimular a poesia em você e nos outros, em desempenho e esforço admiráveis. Continue nesse caminho que, por certo, se não achar respostas às suas indagações, permitirá ao outro que descubra o mistério que jorra da fonte poética.
 Conceição Rosa – leitora, jornalista, ex-portuária da CDRJ – Companhia Docas do Rio de Janeiro, 23/11/1991, por carta, Rio de Janeiro/RJ.


A sensibilidade de Sérgio aparece em pequenos gestos e grandes atos de dedicação total - ao amigo, à causa, à criação de um poema ou à realização de um evento artístico onde aquilo que visualiza em sua mente transforma-se em beleza e nos faz vibrar. Assim são seus poemas – sensíveis, como o autor é sensível, mas...
Há muita sutileza em tudo que faz. Ele nos adverte que pode ser traquinas, irreverente, indecifrável. Em seu primeiro livro – PROFANAS E AFINS – ele nos adverte: MENINO, CUIDADO! Sérgio não é simples, nem óbvio, nem hermético, nem simbólico. Ele brinca com as palavras, coloca diante de nosso olhos imagens poéticas tão belas que estranhamos não estarmos diante de uma luminosa tela num museu de artes plásticas, ele permite que hajam leituras diferentes para um mesmo texto... e seja qual for a direção que tomarmos, nos encontraremos num caminho único : a constatação de que Sérgio Gerônimo é POESIA PURA.
Ao mesmo tempo em que Sérgio Gerônimo sugere ao leitor o seu “ser, profano”, oferece-nos anjos e afins...
Glenda Maier, 2000, cronista, poeta, editora, no site Livron-line.



Sobre OUTRAS PROFANAS –

Sérgio Gerônimo funde vida e obra, expressando de forma transparente sua maneira de estar no mundo – poesia de peito aberto e dorso nu: seja lúdica, introspectiva, sensual, irônica, filosófica, inflamada ou enigmática, ela sempre se mostra coerente com a postura vivencial do autor, indo ao encontro dos ideais mais nobres do ser humano, constantemente massacrados, soterrados. Honesta nas intenções e séria nos propósitos, sua produção nos merece grande respeito, pela sensibilidade e firmeza ideológica que a norteiam.
Leila Míccolis  – escritora de teatro, cinema, televisão, contista, editora e poeta, excerto do Prefácio do livro referido.


Sérgio Gerônimo se diversifica, em seus poemas, em verdade sem perder o que pode haver de autêntico no que escreve e nos transmite. Por vezes procurando inovar, sendo até ousado em seu sentido renovador. Mas nunca sem perder a autenticidade do fazer poético.
Fagundes de Menezes, Presidente da UBE/RJ, 1998 –  romancista e poeta, excerto em aba do referido livro.


Comentário do livro ''Outras Profanas'', de autoria de Sérgio Gerônimo, Oficina Editores, 1998, Rio de Janeiro/RJ, por Maria do Socorro Cardoso Xavier, poeta e psicóloga, João Pessoa /PB, Brasil.
Mergulhar na obra de Sérgio Gerônimo é encantar-se num mundo cósmico, no qual o sagrado e o profano se entrelaçam metaforicamente. Os símbolos mitológicos são expressão dos mitos inconscientes que o autor conserva através dos laços atávicos do ir e vir.
A razão, o afeto e a paixão se complementam e fascinam. Seus conflitos existenciais são metabolizações psíquicas, que em vez de deprimi-lo o redime e o faz grandioso, infinito. Lança-se ao mundo, é um aprisionar-se, libertando-se.
O livro em epígrafe é composto de poemas livres pós-modernos, concretos, haicais - cujo conteúdo varia do conflito interior do cotidiano, das relações psíquicas urbanas, do sensual, satírico social-político, misterioso ou filosófico.
Seguro no verso, tem uma proposta própria de inquietude e liberdade. Ficção e realidade se interpenetram. O implícito e a nudez de suas emoções transparecem, jorram em abundância.
Com aguda sensibilidade, menos explícita e mais sutil, faz e desfaz, jogando com as palavras, estas bem encaixadas e poderosas, na medida de que reflete uma situação, um pensamento, uma ficção.
''outras profanas'' possui uma semiótica implícita, qual magia de anjos, demônios e arcanjos. Sérgio, em ''consumível combustão'' pg. 40...'' procura-se um poeta... procura-se o poema''... Você é o poeta que desfila seu poema, na avenida semiótica da construção pós-moderna.
Aí o autor é sensual sem ser lascivo; maduro sendo ainda criança; intelectual sem ser intelectualizante; lúdico, sendo sério.
Obra livre, flexível, exuberante! Alia ousadia e sensibilidade humana. A cumplicidade do dia-a-dia, com seus universos, desperta, recomeça e enternece(pg. 27).
O mundo da criação de Sérgio Gerônimo é ''um pequeno grande céu''. O mistério e o sublime de muitos versos surreais encanta, torna inesgotável e mágica sua criação. Enfim uma poesia intelectual, que não obstante nos leva a brincar. Para sintetizar, cito Scaliger: ''o poeta é um outro Deus que pode criar o que deve ser''


Ao voltar do Rio, onde passei uns dias, uma surpresa agradabilíssima: OUTRAS PROFANAS. És realmente original! Ainda não o li todo, mas destaco: pré-natal; corda-bamba; trem da serra. Você é um poeta singular e eu o admiro.
Adelina Queiroz, Petrópolis/RJ/ 1998, poeta, contista, por carta.


Parabenizo-o pelo excelente livro “Outras Profanas”. É uma leitura prazerosa (li-o e reli-o). É uma verdadeira aula de “poesia pura”, aonde a palavra vem depurada, bem tratada. É uma obra que merece ser divulgada, bem como todo o seu trabalho, que deve ser do mesmo nível.
Candida Maria de Lima Papini – poeta, 02/02/1999, Sociedade de Cultura Latina do Brasil, Bragança Paulista/SP.


Sergio Gerónimo, Rio de Janeiro, Brasil. Ed Cadernos de Poesia. El poeta nos tiene acostumbrados a esta casi hermética poesia, donde el angel y el demônio se confunden com el hombre. Y em el trajinar de la condición humana, el bien y el mal se hermanan profundamente para estallar em palabras que se tornan haikus o cantos novedosos. La búsqueda de la expresión poética, permanente em Sergio Gerónimo, se basa em el ritmo y la musicalidade que trasmiten lãs imágenes a través de versos em los que lãs palabras se elevan más allá de su sentido lógico, alcanzando uma insólita autenticidad.
Anny Guerrini, In Obstinada Palabra, Número 26, Año V, Bahía Blanca, Argentina.


Amigo Sérgio, a cada dia que passa você consegue ser melhor na sua criação poética. Digo-o como sua leitora e admiradora que cada vez mais se emociona com a sua arte. AS MÃOS DE EURÍDICE são pura ternura. Bjs. 
In OUTRAS PROFANAS.
Manuela Gaspar, bibliotecária, por e-mail, 11/12/2009, 21:36h


Querido Sérgio, adorei o poema “Trem da serra” (de outras profanas) em .pps, produzido por Lydia Simonato associado ao chorinho. Ambos ótimos. Parabéns! 
Astrid Cabral, poeta, por e-mail, 15/06/2010, 17:19h


Grande amigo Sérgio:
A Sonia recebeu e me repassou o PPS com seu poema "Trem da Serra". Muito lindo e bem no ritmo do trem. Lembrei da adolescência, quando morava em Inhaúma e pegava o trem maria-fumaça para saltar em Vieira Fazenda e ir a pé até Sampaio, onde estudava no Colégio Salesiano. 
Neuci Gonçalves, médico, poeta, por e-mail em 16/06/2010, 11:06h



Parabéns, Sérgio Gerônimo! Você continua imbatível! Seu poema TREM DA SERRA  tem o ritmo do trenzinho e do chorinho, tão encantador! 
Dora Locatelli, escritora, por e-mail em 16/06/2010, 22:53h


Adorei a paródia “Trem da serra” (de outras profanas) em slides e-mail. É muito legal para trabalhar com aluno. É divertida! Sucesso querido! Você merece.
Bj
Celi Luz, poeta, por e-mail em 18/06/2010, 07:12h


Oi, Sérgio, gostei do Trem da serra (in Outras profanas). Um modo diferente do vai e vem do trem, legal!
Beijos.
Cleusa Sarzêdas, poeta, contista, por e-mail junho de 2010


Sobre COXAS DE CETIM –


Acabei de ler teu poema (poderia ser um tango ou bolero)... Adoro tango! Mas quero aproveitar mesmo é pra te agradecer muitíssimo por tuas “coxas”, dentro das quais embalei-me por horas a fio. Maravilhoso, Sérgio... De uma sensibilidade explícita, simples, que gostaria de saber escrever. Obrigada.
Aila Magalhães, poeta, janeiro de 2002, Fortaleza/CE, por e-mail.
  

Coxas de Cetim, de Sérgio Gerônimo (Rio de Janeiro: OFICINA Editores, 2000, 1ª edição, 70p.; ilustrações de Tom Reiss). Trata-se de um volume de poemas eróticos, escritos com entusiasmo (lógico!) e mostrando que o poeta já ultrapassou a fase de aprendizado dos dois primeiros livros. Profanas & afins (1990) e Outras profanas (1998). Sendo um livro de lírica erótica, natural que o tema se repita em todas as peças, e o primeiro sinal de maturidade do poeta está justamente em evitar a repetição desnecessária do enfoque: Sérgio Gerônimo não se repete, muito embora a todo instante surjam vocábulos relativos às partes do corpo feminino, mesmo sob forma alegórica, e não é raro o poeta aproximar palavras parônimas ou parófonas para maior vantagem poética. Outra prova de madureza: não cair no pornográfico, nos termos que, de maneira chula, nomeiam as partes íntimas da mulher. Sua poesia erótica se alimenta não só do tesão vocabular, mas acima de tudo do respeito a certos limites de bom gosto. Vale a pena conferir.
In TRIBUNA LITERÁRIA, Tribuna de Petrópolis, 20/10/02, Petrópolis/RJ
Fernando Py, poeta, crítico literário.


Coxas de Cetim, o ápice da sedução, da sensualidade, o cheiro do sexo em palavras.
Flávio Medeiros Dórea – leitor, maio de 2003, XI Bienal Internacional do Livro, Rio de Janeiro/RJ.

COXAS DE CETIM
PARODIANDO SÉRGIO GERÔNIMO

As “Coxas de cetim” que bem cantara
O Sérgio, ilustre bardo, nos poemas
De um livro, hoje me inspiram novos temas
Para cantar uma beleza rara,

Que um dia na visão me apôs algemas,
Mostrando o que causou-me intensa tara:
A formosura da pernoca clara
Com sensações eróticas supremas.

Quisera aquelas coxas de cetim,
Tocar, beijar... num frêmito sem fim,
Subindo dos joelhos à virilha;

Somente assim seria realizado
O sonho há longo tempo decantado
Da posse desta oitava maravilha.
Soneto 2894 – Jorge Tannuri – 22 de dezembro de 2003.

  
Que viagem gostosa desfrutei ao ler a poesia do seu livro "Coxas de Cetim". 
Um verdadeiro "Exercício" de palavras entrelaçadas, entrecortadas, ritmadas, rimadas... Deliciei-me com "Spaghetti ao Óleo e Creme!".  - Hummmmmmm. Aconcheguei-me nas "Coxas de Cetim", macias... Envolventes... Saciei-me com "Pêssego" - De-li-ci-o-sa-men-te doce! Um som anunciado plasmou no éter um "Eccus" extasiado de um prazer angustiado, permanecendo nos meus ouvidos sensíveis. Sérgio, foi uma verdadeira "Devassa"!   Minha "Vida revisitada", agradece.
Amigo: "Afrodite se Quiser"!
 Alzirita Travassos, Idealizadora do "Projeto dizer Poesia", no nosso Espaço Literário: "Portal Ser", Marapendi Shopping, Barra da Tijuca; setembro de 2004, Rio de Janeiro/RJ.

“li um livro incomum: autor pulsante, poesia pungente, páginas vivas”.
 E-mail de Jorge Leão, Diretor do Jornal Barra Comunidade, Rio/RJ, 03/06/05.

Estou relendo ”Coxas de Cetim” e devo confessar como gosto desse livro. Ele me ajudou muito no meu caminhar poético e devo isto a você, que sempre me cobrou atitudes. Gosto da forma que você escreve e como constrói seus versos.
 Neudemar Sant’Anna – poeta, coordenadora do projeto Poeta saia da gaveta, abril de 2006, Rio de Janeiro/RJ.


Mil leituras!
Grande Mestre das palavras, até agora estou me deliciando com as coxas de cetim!
Passei com entusiasmo e lirismo pela PANínsula e me fartei de Códigos de Barras, Belabun indiferente a tudo, se sente a dona do espaço, a mais cobiçada, a mais fotografada. Não dormi meu caro poeta, apenas li, e agora? Vou cobrar pela minha insônia. Sonhos de cetim para nós,
Eurídice Hespanhol, por e-mail, sexta-feira, 7 de setembro de 2007, 12:32.


Sobre PANínsula –

SALVE SÉRGIO
     Acabei de ler Alfanges e Viúvas. Lindos! Perfeitos! Parabéns! O material que já pude ler está perfeito a nível histórico e poético! Um abraço,
              
Ricardo Ruiz de Muniz – historiador, poeta, 2002, Rio/RJ.

PANínsula é um título intrigante e sugestivo. O neologismo inventado por Sérgio Gerônimo diz de cara ao que veio: pan de internacional e ínsula de ilha. O livro é uma tradução do espírito ibérico: infinitamente universal e local ao mesmo tempo, da mesma forma que o azeite e a água misturados, não há amálgama possível! Nós, os latino-americanos reconhecemos bem nossa herança. PANínsula é uma declaração de amor à cultura ibero-luso-espanhola.
Ricardo Ruiz, Cosme Velho, Rio/RJ, 2/04/2002, excerto para Prefácio do livro citado.


Falar do escritor / poeta Sérgio Gerônimo Alves Delgado, não será fácil.
Como poeta é pessoa muito sensível, algo místico e com o seu quê de lirismo. Auto-define-se como: - “sequer por um momento / ensaiar o futuro tento / aqui e agora é mais seguro / mergulho no segundo: / sou (re)nascimento / sequer por um momento / esconder o lógico tento / aqui e agora é mais óbvio / móbil o dia e a noite : sou movimento / sequer por um momento / evitar o encontro tento / aqui e agora é mais compacto; / contacto o instante: sou relacionamento / sequer por um momento / tento / faço / e desfaço : sou (in)vento”. Aqui, podemos encontrar o poeta, o sensível, o místico Sérgio Gerônimo, que, como principal virtude tem a sinceridade , assim como seu principal defeito. Mas ainda podemos conhecê-lo melhor, quando nos fala da sua meninice : - “Morei numa casa que tinha uma mangueira que dava abiu, eu era o único com tal pomar ...”. Talvez a partir desta sua definição, possamos compreender a sua formação e forte personalidade. Em PANínsula, vamos encontrar o poeta na sua plenitude de homem sensível, que adora a Península Ibérica, nomeadamente a Galiza e Portugal. Embora em forma “lírica”, o Sérgio Gerônimo, demonstra acima de tudo o seu amor por estas paragens que, à sua maneira, as pretende homenagear.
Carlos Leite Ribeiro — Director do “Cá Estamos Nós”, Portugal, 2002, em aba do livro citado.


 O percurso ibérico de Sérgio Gerônimo
     
    O poeta Sérgio Gerônimo redescobre a Ibéria mítica em suas andanças por Espanha e Portugal, traduzidas em poemas iluminados pelo sol andaluz e suavizados pela brisa do Tejo.
    São longas caminhadas aos mais diferentes sítios, matizados pelas culturas locais e absorvidos pela observação perspicaz do poeta, que encontra o modo próprio e o ritmo adequado de celebrar cada marco de sua viagem.
    Cada poema corresponde a uma estação desse itinerário cumprido com entusiasmo e harmonia.  Trata-se do diário poético de uma bela viagem. E dá para imaginar o que seriam os diários de bordo das grandes viagens marítimas dos séculos quinze e dezesseis, se fossem escritos pelo poeta desta navegação terrestre pela Ibéria.
    Quem ama e conhece a terra ibérica tem a oportunidade de reencontrar-se com o apelo de sua beleza, ao viajar, com o autor, nestes poemas.  Quem só a estima de longe, mas a desconhece, tem aqui o ensejo de surpreendentes revelações.
    Uns e outros estão convidados a empreender essa maravilhosa viagem, conduzidos pelas mãos experientes do poeta.
Reynaldo Valinho Alvarez, 4ª capa, 2002, Rio de Janeiro/RJ


Encantada com “PANínsula” – poesia, OFICINA Editores, de Sérgio Gerônimo. De tudo este livro contém: história milenar em verso pós-modernista, mitologia greco-romana, geografia, toponímia antiga. Um tratado lírico-épico da Península! Um livro para se degustar aos poucos – tanto pela estética quanto pela profundidade de conteúdo. Parabéns! Uma obra ímpar no gênero. Capa fantástica: Pan e sua flauta Siringe sobre as terras ibéricas a olhar o Novo Mundo.
Socorro Xavier – escritora, poeta, junho de 2002, João Pessoa/PB.


Você já viveu a experiência de ser lida por um poema? Só os que já viveram esse momento poderão me entender. Fui ao lançamento de PANínsula – poesia (OFICINA Editores), de Sérgio Gerônimo e iniciei o recital homenageando meu amigo, meu irmão, meu companheiro, interpretando o poema que dá título ao livro: “PANínsula”. Poesia dele “me leu”. Só os grandes poemas são capazes de LER os intérpretes. Eu “fui lida”. Se você quiser vivenciar esta experiência... Faça o que eu fiz: leia PANínsula, de Sérgio Gerônimo: uma apresentação primorosa, os poemas são um somatório de sensibilidade de alma, conhecimento racional e explosão de emoções. Entender o livro pode parecer, em um primeiro momento difícil, mas, se você ousar mergulhar em sua essência acabará como eu, sendo lido pelo poema e sentirá o ritmo, força e beleza de PANínsula. O resto? É conversa! 
Glenda Maier, poeta, editora, cronista, outubro de 2002, Rio de Janeiro/RJ.


Finalmente, apareceu Sérgio Gerônimo. Com um início literário de pesquisas solidificadas no Concretismo, com formas inusitadas trouxe-nos com este livro substantivo o poeta dono de si, com texto elaborado na concisão das palavras e dos motivos no escorrer sintético do verso adulto. “Travestido de eros” encontrou a difusão do conluio sem se deixar levar pelas “velas indomáveis” da embarcação ao vento. O ruflar dos seus tambores conceitua o estudo semântico na valorização dos vocábulos e na narrativa madura do fato disseminado. Não é um poeta só. Tem no seu mundo interior a sólida presença da existência corpórea sublinhada pela escolha certa do destino inarredável. A opção em cuidar das palavras não o faz um literato comum. Ao contrário, enriqueceu a literatura com a seqüência firme de um comandante disciplinado e disciplinador. “PANínsula” é um livro que satisfaz ao intelecto de forma abrangente e sugere que o prazer da vida é simbolicamente substantivo. Os adjetivos são inexistentes para o leitor que consome a lisura do texto e a organização das palavras. Fez, creio eu, o livro da vida pessoal e intelectual sem ferir as cores dos momentos vividos e a sabedoria adquirida com o passar dos anos. Felizes estamos nós de tê-lo encontrado.
Flávio Rubens — poeta, romancista, por carta. 
    

Sérgio Gerônimo, PANínsula é o seu melhor livro (OFICINA Editores). Graças à sua sensibilidade, você nos conduz a um passeio fascinante por Portugal e Espanha. Tão bem elaborado, que poderá concorrer com os melhores poetas brasileiros e por certo, será um deles. Parabéns! Continue nos presenteando.
Dalva Cardoso Sampaio – poeta, membro da APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, outubro de 2002 – Rio de Janeiro/RJ.



Valeu, poeta!
Ainda estou boquiaberta com a qualidade de “Catalunha”, poesia, in PANínsula – poesia (OFICINA Editores). Não que me surpreendesse, pois já conheço seu talento desde as apresentações no “Sarau João do Rio”. O que me impressiona em você ainda é sua habilidade em fazer prosa. Geralmente isso não ocorre, alguém ser tão bom nas duas formas.
Elaine Pauvolid – poeta, crítica literária, editora do boletim eletrônico, via Internet, ALIÁS, outubro de 2002, Rio de Janeiro/RJ.

Saiu o mais recente livro de Sérgio Gerônimo Delgado. Como pediu Lobão e Beth Carvalho, ele numerou os exemplares. Realmente, é uma grande idéia. Lobão deu uma entrevista na TV em que disse que o projeto de lei se limita aos discos. Ele não sabe como está sendo e nem como será com os livros. Por que a gente está numerando os nossos livros, não sabemos bem. No entanto, foi assim com a numeração das páginas, nos primórdios da construção do livro editado. Primeiro usaram letras, depois assinaturas, e mais tarde a numeração em cada página. Se a numeração dos livros parece difícil por ora, um dia será tão útil que não saberemos mais entender como não se numerava antes. A princípio fica um controle muito inteligente da quantidade de livros vendidos. Ainda estou boquiaberta com a qualidade de “Catalunha”. Parabéns, Sérgio pela organização no lançamento e pela qualidade dos versos. O livro ainda tem na fabulosa abertura que Sérgio teve o cuidado de fazer, o poema de Francisco Igreja, fundador da APPERJ e grande poeta.
Elaine Pauvolid – poeta, crítica literária, editora de Aliás (boletim eletrônico).


Caro Sérgio Gerônimo
Ainda estou aqui me apaixonando pela sua PANínsula, me achando nas suas metáforas, “deitando meu leito nas suas vinhas”, “não disfarçando em pecado meu umbigo/nem planícies e planaltos que correm nos meus cascos”, sendo “mais fantástico do que divino” e ouvindo seu vento a me “carrear rezas”. Lindíssimo o seu livro. Forte de conhecimento e cheio de emoção à flor das sensações e do deslumbramento. Parabéns!
Rosane Villela – poeta, por carta.


Parabéns por PANínsula. Obrigado pela viagem que me proporcionou. PANínsula é um livro para ir lendo e reler. O ritmo da leitura é imposto pela arte do poeta. Viajar em PANínsula é acompanhar Sérgio Gerónimo por um percurso pessoal em que o autor procura a essência das coisas e achando-a torna-se mais pleno tornando o leitor mais próximo do transcendente. O fascínio pela profundidade do tempo, o apelo a uma outra dimensão, o cruzamento de realidades e a eterna provocação do destino como sopro de uma suprema divindade cósmica que chama através da voz dos lugares, das coisas e das memórias visíveis e ocultas, são belíssimos véus tecidos com as palavras de PANínsula.  Véus que caem deixando ver a alma de Ibéria, uma figura de luz que entra dentro do poeta como um fogo sagrado que entra dentro de um cálice. Depois é a grande celebração;  pela alquimia dos sentidos, nasce a palavra e as musas despertam, para a poesia ser celebrada.
Viajar por PANínsula é ver imagens, escutar sons, cheirar aromas e sentir mistérios, que se soltam dos poros das criaturas mágicas em que nos transformamos ao acompanhar Sérgio Gerónimo numa viagem de sedução. 
Soares Teixeira, poeta, setembro de 2002 – Lisboa/Portugal, outubro de 2002



PANínsula
A alma do poeta Sérgio Gerônimo por si mesma!

João Barcellos
Escritor / Consultor Cultural

   Há uma década atrás, no início dos Anos 90, na luxuriosa e cativante e serrana cidade denominada Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro [e onde, aliás, escrevi as primeiras anotações para o romance ‘Clube Brasil’], ouvi o poeta Sérgio Gerônimo dizer, quase cantando, em meio a alguma ‘nova’ da Marta Portugal, que lia as mãos de alguém:  “...há um Tempo dentro de Mim, um talvez Espaço onde a minha Sina”. Por instinto, anotei o dito e deixei-o entre as notas que, então, tomava para um escrito sobre o poeta luso-carioca Francisco Igreja. Não sei se aquele tão profundo quanto inesperado cântico d’Alma foi a inspiração para o seu livro “Profanas & Afins”  [Oficina Letras & Artes, Rio de Janeiro / Br-1990]... talvez sim. Nas últimas semanas de 2001 reencontrei aquela anotação [entre os poucos papéis que me sobraram dos assaltos que sofri] ao buscar os meus rascunhos sobre o Chico, no âmbito do seu livro ‘Semana Regionalista de 22’  [Edicon/Br.-1991] para  uma escrita comemorativa dos ’80 anos da SAM22’, e deixei-a à mão.

   Depois das euforias carnavalescas de 2002, recebo, do poeta Sérgio  - autor de trabalhos poéticos como “ser capaz de amar” [op. cit., pp. 73, 73] –   a obra poética ‘PANínsula’  e,  logo, reencontro a essência alquímica da anotação de 90: em Mim, o Tempo; no Espaço, uma Sina.

   Existe neste ‘PANínsula’ aquela não-comum Liberdade de alguém que aprendeu – e se inova – a Ser para continuar a saga bocagiana [‘o sábio não vai todo à sepultura...’] e, por ela – a Liberdade, o bom costume de retornar à História par se saber do “Nós, os ibéricos tropicalizados mas nunca esquecidos em si próprios” [BARCELLOS, João – in ‘O Luso-Carioca Chico Igreja’, pal., Sampa/Br.-1995]. Sim, porque “os estabelecidos sistemas sepultam o Poeta vivo, pois, na verdade, não podem capt[ur]ar-lhe a Alma” [idem]. Foi neste precário mas generoso e verdadeiro navegar vivificador que encontrei e conheci, no Rio, o poeta Sérgio Gerônimo – e, agora, eis o Poeta mais vivificador ainda: ‘PANínsula’  é a caverna delirante de onde os vates, os sanchos, os panças, os impérios, as inquisições, as poéticas, os povos... enfim, a História, nos diz[em] de um Todo ibérico reconhecível também na Alma tropical do Ser afro-brasileiro. Aqui, uma vertente lírica onde se podem ler certos sinais pessoanos e bocagianos [...também reflexos de Igreja e de Quintana],  mas, sobretudo, aquele Fado enunciado na serra carioca: a linha vivificadora do poeta Sérgio – ele mesmo!

   Estava certa, justa, mui justa e justíssima, a minha anotação feita em Paulo de Frontin... Eis o vero Poeta. Aquele alguém que é “...um Ser no ato profundo do Estar poeta[ndo] pelo equilíbrio filosófico do Nós” [PIÑON, Joane d’Almeida y – in ‘Das Partículas Poéticas’, art., Cult Journal, Houston/USA-1998]. Por isso, ‘PANínsula’ não representa o todo poético de Sérgio, é uma vitrine deliciosa da sua força lírica e da sua cidadania universal no contexto lusófono. Devemos erguer as taças e, na taverna da Poesia autêntica, saudar o poeta Sérgio Gerônimo.  [São Paulo/Br – 2002]


Sérgio Gerônimo, felicitando-o pelos altos momentos de poesia de “PANínsula” (bravo!bravo!) – uma revelação, realmente!
Stella Leonardos, escritora, poeta, Secretária-geral da União Brasileira de Escritores, abril de 2003, Rio de Janeiro/RJ.


Poesia é coisa séria!

Chamamos a atenção para reconhecermos, que o texto poético deve ser visto como objeto estético e não espaço para catarse ou confissão sentimental, como bem advertia Drummond em Procura da poesia. À guisa de exemplificação, mencionamos o livro PANínsula, de Sérgio Gerônimo. O autor, antes da elaboração de sua obra, viajou à Península Ibérica e pesquisou. Seus poemas são, portanto, fruto de estudo e não do acaso. As notas explicativas servem para facilitar a compreensão do texto, visto se tratar de um livro repleto de referências. Não queremos dizer que todo livro tenha que ser antecedido por pesquisa, muito menos que deva ter notas e bibliografia. No caso de PANínsula, sim, elas se fazem úteis. Queremos dizer que este livro é exemplo da seriedade com que a poesia deve ser feita: o livro tem projeto, intenção estética e utiliza os recursos estilísticos que caracterizam um texto literário.
Marcus Vinicius Quiroga, poeta, Doutor em Literatura Brasileira, crítico literário, editor do RIOLETRAS, In RIOLETRAS, Ano 2, Número 11, 2003, Rio de Janeiro/RJ, Brasil

PANínsula - O mitológico Pan (ou Pã), com sua flauta, pontifica soberano sobre o mapa da Península Ibérica, na capa da obra poética "PANínsula", de Sérgio Gerônimo, Oficina Editores, Rio de Janeiro-RJ, 2002. Conforme o autor, "Pan muitas vezes participava do séquito de outro deus — Dioniso, do qual era seu arauto (...)". São deuses ligados profundamente às origens europeias, em particular da Espanha, representando a ambiguidade do comportamento desse povo: ora sagrado, contido, religioso, cristão; ora profano, entregue à sensualidade, a toda sorte de extravagância.  Sérgio ainda nos chama a atenção para outro aspecto importante, agora relativo ao prefixo "Pan", que também significa "totalidade". Essa visão e busca de totalidade inspirou a Sérgio uma percepção abrangente, gestaltiana da Península Ibérica, mas também do Continente Europeu, em busca das origens e além das origens. Por dentro de tudo, implícito em tudo, o nosso Brasil e a própria pessoa do poeta, descendente de portugueses e de espanhóis. Numa obra belíssima, de um lirismo que mais um pouco se teria lançado ao épico. Esbanja domínio da linguagem, riqueza imagística e vocabular, combinando conteúdo, visualidade e sonoridade. Sérgio realiza uma obra de um lirismo incomum, que conta com um prefácio excelente de Ricardo Muniz de Ruiz, orelhas de João Barcellos, Carlos Leite Ribeiro, uma quarta capa com a assinatura de Reynaldo Valinho Alvarez. Além da ótima apresentação externa, o livro possui internamente várias ilustrações digitalizadas. Todo esse trabalho gráfico é assinado por Tom Reiss.
Ricardo Alfaya – poeta, crítico literário, editor do boletim eletrônico, via Internet, NOZARTE, www.nozartecultural.blog.aol.com.br/ . A crítica foi publicada na Coluna ilustrada “De Olho Vivo na Arte”, na edição do PD-Literatura,  www.pd-literatura.com.br/ Outubro de 2003, Rio de Janeiro/RJ, Brasil


Marisa Zanirato disse... Sérgio,
Sua poesia é para aplaudir de pé. PANínsula arrepiou-me, como se as palavras me roçassem a pele. Parabéns pela sua belíssima e fecunda obra literária.
Obrigada, Selmo, pela oportunidade de ler mais uma brilhante entrevista em seu blog.
Abraços aos dois.
Em entrevista no site www.antologiamomentoliterocultural.blogspot.com , conduzida por Selmo Vasconcellos, colunista em Porto Velho/RO, em 22/10/2009, 16:31h.


Sobre BELABUN –

SG, Belabun tem uma linha de metrô intensa de cânticos de bom humor: a estação de chegada é o prazer.
Parabéns, Sérgio.
Merivaldo Pinheiro, poeta através recados do ourkut, 13/11/06.

Caro Sérgio,

Acabei de fazer, de um fôlego só, a primeira leitura de BelaBun. Leitura prazerosa, como parece ser a relação entre autor e tema.
Nessa primeira impressão, gostei, sobretudo, da abertura do seu epitáfio. "Esqueleto dança versos de cole porter" é uma imagem belíssima.
Quando fizer uma leitura mais detida, se achar que devo, volto a escrever. De qualquer maneira, agradeço pela gentileza do livro, da dedicatória e da revista. Depois que ler "Plural", também envio minha impressão.
Sem mais, grande abraço!
Aluysio Abreu Barbosa, por e-mail 29/11/06 – 11:04h, poeta, repórter, Campos dos Goytacazes/RJ.


Sérgio já li o seu livro e achei bem interessante aquela aventura toda. As imagens também complementam os mergulhos poéticos, contido ao longo do conteúdo. Viva a poesia! Viva a liberdade de criação!
Cacau Leal, poeta, e-mail 20/11/2006, 18:54h. 


Caro Sérgio,

         Só mesmo você com sua coragem e audácia para lançar um livro com esse tema, com linguagem cheia de humor, erotismo e irreverência. Muitas passagens não entendi, mas, como dizia o grande J.G. de Araujo Jorge: " não procures um poeta entender." Você tem uma capacidade única de causar impacto com o vulgar e ao mesmo tempo, confundir a compreensão do leitor. O poeta tem sempre um propósito ao apresentar a sua mensagem. E você deve ter o seu ao publicar Belabun... E as fotos saídas dos negativos, lembram mostragem de  filme pornô. / Com esta cidade, megulhada em violência e apreensões, o seu livro tira o estresse e leva a uma viagem erótica para quiser. Um grande abraço.
Conceição Gomes – leitora, e-mail 10/01/2007, 19:32h.


Belabun é um livro marcante, de cabo a rabo.
Gostei muito.
Antonio Cícero – filósofo, poeta, por e-mail 27/02/07, 10:07h.


Sérgio Gerônimo, meu irmão de versos

O brasileiro não entende só de carnaval e futebol. Ele entende, sobretudo,
desse paraíso glúteo que desperta desejos insondáveis. Atavismo áfrico ou
lembranças advindas das orgias sodômicas e gomôrricas e hoje impregnadas
no inconsciente coletivo? Não importa a origem, mas sim esse culto bem
brasileiro que entronizou a bunda, nela vislumbrando a síntese de todas as
fantasias e a glorificação do prazer.
Seu livro é uma ode à bunda, onde o F jaz subentendido e a crase é
dispensável. Sem moralismos esclerosantes, homens e mulheres (e todos os
indivíduos compreendidos entre um e outro gênero) apreciam, a seu modo,
esse sedutor, misterioso e provocante locus anatomicus.
Seus textos filogluteosos (usando, por empréstimo, o feliz termo de Lúcia
Nobre - philosgloutós) por certo provocarão nos apreciadores dessa jóia
anatômica uma conseqüente phagosgloutós, coroamento máximo do desejo
expresso nesse culto nacional.
Seu jeu de mots brinca eroticamente com as palavras lascivas que adjetivam
a BelaBunda, personagem maior e única do seu curioso e atrevido livro.
Paradoxalmente, você provou que o derrière está sempre à frente no
imaginário do ser humano.
Neuci Gonçalves, poeta e escritor, e-mail em 06/03/07, 23:22h.

E o “Belabum”? Você é mesmo “você”, Sérgio. Li o livro entre curiosa, meio tímida e encantada com sua forma tão autêntica de fazer poesia. Continue assim!!
Christina Ramalho – profª de literatura da UFRN, Natal; e-mail: 23/03/07 – 17:47h.


oi SG !
já li belabun duas vezes. adorei. destaque para: belabun da areia - cruzcredobun é demais! aqui, em minas, seria credincruzbun e, super literata: tem belabun no meio do caminho, no meio do caminho tem belabun. parabéns!
Maria Luiza Falcão, poeta/romancista, através de e-mail em 10/04/2007, 22:34h.


Belaωun

   O terreiro das probalidades psicológicas, lítero-humorísticas e de sadia vivência da pessoa humana, pelo que é e está de prazer, sem que haja um Estado a dar um jeito identitário ao Sexo, é o terreiro do Amor.
   O poeta Sérgio Gerônimo colocou na praça literária Belaωun, o seu último livro, no tipo “livro de bolso” e com desenho gráfico de bom gosto estético, a par, inclusive, das “regras/ sem meias sentenças”, até que “pra sinuca” já basta a quadratura social de ventos soprados pelos luminares industrializados e globalizados.
   O prazer de se viver, não o de estar, é aquele algo que não nos chega em embalagens bonitas estrategicamente dispostas em prateleiras para consumo imediato, mas o cântico poético da vivência que [nos] leva aos íntimos paraísos.
   O livro Belaωun não é bula-de-prazeres, mas a sua leitura (e “num adianta, ocês encrencá”) é um prazer que indicia o bom caminho da Vida que deve[re]mos ter como Arte primeira.
BARCELLOS, João – Escritor português, Consultor Cultural, Sampa, 2007.

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­

Persona: BelaBun (BelaBun - obra em verso, Gerônimo Sérgio. OFICINA Editores, Rio de Janeiro/RJ. Ed. 2006)

BelaBun já existe na pele e está no imaginário popular. Consagrada nacional e internacionalmente. Bun, mas muito bela. Irreverente e dona de si. Ora recatada, ora extravagante. Recata? Uma BelaBun não pode ser recatada. Trata-se de uma narrativa poética ou mesmo uma saga errante que floresce na pena de um escritor sensível e ao mesmo tempo ousado. Artesã do desejo BelaBun é, antes de mais nada, o próprio sentido, a forma do bel-prazer. Por que não a força?A construção poética dessa metáfora sugere a lógica do desejo, do arrepio, do contraponto da leveza. Justificado pelo propósito de reforçar a imagem coerente da vontade e a prática hilária da personagem narradora em contar as suas aventuras, suas alegrias e decepções. BelaBun é. É o que desejamos ser. Ter olhos que mesmo cegos enxerguem a entrega, e tudo que esteja afinado ao tempo.
Mozart Carvalho, poeta, professor, www.mozartproducaotextual.blogspot.com 18/02/2010


Sobre CÓDIGO DE BARRAS –

Discussão do poema Mary Columbus, no site do SESC, na página do Balaio, São Paulo/SP, conduzido por JS Trevisan, 2003

Belo o “Código de barras” de Sérgio Gerônimo; e ele se supera. Desde do título da obra, ele se apresenta abrindo ao conhecimento do leitor sua versatilidade e liberdade criativa; um escritor que encanta pela clareza e arte.
Sérgio Gerônimo, um geminiano, tem habilidades múltiplas. Escreve com fluência e variada erudição, dando eloquente colorido às palavras e narra, em poema, episódios de sua infância, vivências, buscas e questões.
Atinge suas metas, embora tudo de maneira informal com imparcialidade intelectual. Um apaixonado intenso e em muitos de seus poemas esse sentimento aparece lindo.
Abraços cósmicos
Therezinha Gouveia
Rio de Janeiro/RJ, agosto de 2003, poeta, astróloga, contista


Caríssimo Sérgio Gerônimo autor de SexOlfato (in Código de barras):
Homem dos mil e um poemas, meu insano, do Blue Angel (apresentação com a Gang), marcante e invulgar presença certa e necessária.
Érico Braga, poeta integrante do Grupo Poesia Simplesmente, setembro de 2003, Rio de Janeiro/RJ.


POEMA DE SALTO ALTO
(O discurso poemático da imagem)

“(...) A Imagem nunca é um “elemento”: tem um passado que a constituiu; e um presente que a mantém viva e que permite a sua recorrência.”(Alfredo Bosi)
 Poesia  é arte. É iconicidade. É palavra e é imagem. É a linguagem do tempo produzindo emoções. É a evocação dos sentidos. Por isso, a poesia está presente na forma de ser e de sentir a vida. “A poesia quer ser poética: ela quer realizar-se. Isto não significa que, ao poeta, seja proposto um certo modelo eterno que ele integralmente tenha de reproduzir. Existe seguramente uma tradição que formou o poeta, e um certo estado presente da poesia que o provoca.”(Mikel Dufrenne. O Poético. Editora Globo, Porto Alegre, p.10) - Assim, o eu da poesia, se expressa em constante comunicação com a arte, numa evocação do essencial, processo de co-existência entre o poeta e o poema.
 Sérgio Gerônimo e apenas um só poema... e o poeta se apresenta inteiro em sua irreverência. A literatura ofereceu-lhe múltiplas vozes, mas ele fez sua escolha e a acolheu como gênero: a poesia. Pelo prazer da experiência e da existência, fez da poesia sua musa e emprestou-lhe o tom da ironia e algumas circunstâncias de influências do cotidiano pós‑moderno. Concedeu-lhe também a forma e ritmo próprios e a tornou sua cúmplice. Com uma linguagem leve, a fez  falar: em verso e prosa; com saber e sabor, transformou-a em arte.  Sérgio delegou à poesia ser ela sua eterna confidente. E nessa jornada de sua poiésis, há tacitamente uma estreita relação da palavra com a imagem e  a dialética. 
 Certo dia, leio um de seus poemas (este que aqui, se encontra para uma apreciação),  e me delicio com seu texto. A princípio, li-o apenas  com os olhos de amiga. Mas, bastou-me parar, para logo refletir sobre o discurso semântico contido na poesia, (nele havia uma linguagem carregada de representação simbólica). O poema chamou-me à atenção: não sei se  pelo recurso lingüístico ou à poética do discurso, (a poemática).  E o poema brincou com meus sentidos.  Um ícone  salta  de seu salto alto e aponta-me para um eu poético que se quer presente no texto, ainda que oculto, mas manifesto na palavra da poesia. Vamos então, à palavra poetizada de Sérgio Gerônimo e conferir sua fala, neste fragmento do poema:
           
Outro dia me chegou um poema
de salto alto com adereços sutis
endereço de internauta
um quê de colegial
disse baixinho em um hálito
brisa de outono sua identidade...

sou poesia feminina

Diante do que vimos acima, a arte necessita quebrar e subverter a ordem, para se fazer “ver” e “sentir”  através de olhos e alma. Ainda que o óbvio não esteja percebido. É preciso ver.  A arte deve causar espanto e romper com as amarras predeterminadas. Assim, a poesia como arte assume seu lugar de importância à história do tempo. A arte não deve  submeter-se à subserviência de sua manifestação de liberdade, a fim de causar no outro um estado de sensibilização. Desse modo, procede a poesia como canal a nos propiciar esse encontro com outros mundos (imaginários).
O texto deve nos desejar, segundo o que diz Barthes (1973) “ O texto que escreve tem de me dar a prova de que me deseja.  Essa prova existe: é a escrita. A escrita é isto: a ciência das fruições da linguagem, o seu Kamasutra (desta ciência, existe um só tratado: a própria escrita — Roland Barthes. O Prazer do Texto. Edições 70, Lisboa/Portugal, 1973 p. 39).  Na palavra de Barthes, o único meio de encontrar esse leitor é através da escrita, então, devemos escrever com e no prazer.
Voltamos aqui para o texto poético de Sérgio Gerônimo: na primeira leitura que fiz do poema, tive a sensação de que o texto-poemático recusava-se à comunicação. Lancei-me aos recursos da hermenêutica numa segunda instância e o poema se desnudou: desceu do salto. Percebi então, que havia um outro eu manifesto, dialogando com o criador, ao mesmo tempo que, como uma espécie de persona, retoma o discurso do poeta e vem à tona e, toma como sua a fala da poesia. Vejam comigo:
           
tentei afastar tal companhia atrevida
continuou pé-ante-pé no meu pé
me fez bailarino de linhas tingidas de grafite
às 3 da manhã não satisfeito
tocou fogo em meus pensamentos
me fez diurnos os sonhos

levitei meio torto entre os gêneros
que a mim se apresentavam
um poema que se dizia feminino
batia incessantemente com sua voz
em minhas idéias um quanto
radicais e colocou em semitons

            minhas raízes vernaculares

Nessa comunicação que não parece secreta entre o desejo de ser da poesia e o desejante, surge a imagem (o ser que se apresenta); insurge de dentro da escrita do poema – como um eu que fala pelo e com o poeta. A arte moderna elege à realidade toda expressão de liberdade. E o poeta faz uso da imagem, dos ícones, por ser ele, esse ser antenado com o universo das coisas no processo de criação. Diz Bosi (2004) “A realidade da imagem está no ícone. A verdade da imagem está no símbolo.”  Desse modo, afirma Goethe: “A idéia, na imagem, permanece infinitamente ativa e inexaurível”.  Aí está o artista, impulsionado pelo desejo de expressar sua “verdade” poética: abduzido pelo prazer, e por vezes, arrebatado pelas fantasias e sonhos.
Num outro fragmento, ouçamos o que diz nosso poeta Sérgio:

            ele, o poema – gênero masculino
(coisa que só os léxicos entendem)
sabendo-se ser feminina ou seria feminino
mas, a palavra feminino é masculina: o feminino
ou será masculino?
esquisito, não?

Percebe-se que neste fragmento o discurso poético muda o ritmo, perguntas e respostas não se pronunciam como afirmações. Mas com o discurso não revelador, há uma intenção implícita, por trás do ato de indagar. Também não se trata em desvendar a questão do gênero. As formas do feminino e do masculino são meras figuras de linguagem, um (fetichismo) que deixa de ser uma alegoria para ser  estrutura através desse “eu” - função psíquica da poética do desejante. A concepção freudiana, refere-se ao desejo inconsciente, e a definição mais elaborada  refere-se à vivência de satisfação (...) após  a qual “... a imagem mnésica de uma certa percepção  se conserva associada ao traço mnésico da excitação resultante da necessidade.” Assim, seja qual for a ação catártica, a poesia é a solução, melhor que qualquer divã: libera o desejo reprimido, põe em ordem as emoções, e, às vezes, numa simples metáfora, num único poema.
 O ato de representar necessita realizar-se para o real. E é o que faz o desejo do poeta ao escrever e expressar-se na poesia. A poesia de Sérgio revela um comprometimento com o sentido poético. Mas por outro lado, a poesia é “feminina” e assume esse lugar, ou seja: o eu lírico se desvela no dialogar com o próprio texto:
           
este poema de salto alto
roubou-me as horas madrugadas
fez-se companhia, como já disse, atrevida
e com dedos ágeis de tudo sei
preencheu o vazio até então
conhecido das minhas entrelinhas

escreveu que voltaria

Surpreendido com aquela  voz oculta que lhe “sopra” aos ouvidos no meio da madrugada, o poeta cede ao poema uma analogia como discurso compensador: estático e “pensador” ao se comparar com a estátua de Rodim. Discurso análogo para atender tais exigências de representações e de demandas pulsionais:

no espelho da minha vontade
deixou embaçado ou embaçada
os embasamentos latinos da minha língua
não contente com a contenda
sem desfecho fiz-me estátua de rodin

O texto poético de Sérgio Gerônimo nos mostra, claramente, que ele (o poema) surge de um sonho e se apresenta como arte. Segal (1993) diz que “O trabalho psíquico do sonho visa a satisfazer os desejos inaceitáveis e conflitantes disfarçando-os, (...).” Acho melhor deixar essa tarefa do sonho por conta do ego, ele saberá resolver de forma brilhante.
Kehl (2002) diz que: “As representações dos objetos  da realidade são o único ponto de apoio do sujeito para falar do desejo (...).” Para entender o que representa o desejo, há que se dar lugar à fantasia como suporte de algum acontecimento da experiência real. Sérgio vivencia esse real, quer seja na poesia ou em sua praxis de escritor e psicólogo.
As relações estabelecidas no texto poético com o diálogo entre a poesia e a psicanálise, não se fecham entre si. Pelo contrário, essas relações possibilitam à poesia ir além do próprio discurso.  E a  poesia está aí, a fim de encontrar o leitor.
Vannda Santana, poeta, ensaísta, professora universitária, membro da  UBE, criadora do Projeto Orfeu, Rio/RJ, julho 2007.


Já conheço... Esta é uma frase que não cabe ao leitor de Sérgio Gerônimo, sexy poet. Assim o rotulo e assumo  sua indiferença por rotulados, mas Sérgio Gerônimo é! Escaneia aromas, decodifica te(n)sões, transa palavras em meio a ritmos e interrogações. Interrogações? Sérgio Gerônimo exclama sem ponto final, sem vírgulas as feridas de um cotidiano urbano visto através de barras invisíveis. Seus olhos brilhantes, red/green feixes, crus são mais que simples telas quadradas ou planas, são megapixels de puros versos nus. Nus? Não! Seminus, pois a nudez completa de suas estrofes caberá a nós, que poderemos ler/tirar a sua última peça íntima, na última página destes códigos por trás das barras. Atônitos perceberemos, então, que toda nudez será compensada.
Flávio Dórea - estilista/poeta, Rio/RJ, julho 2007, aba do referido livro.


Salve! Mais uma vez Sérgio Gerônimo aguça nossa macromicropercepçao! Passeia pela cidade e  semáforos falos luminosos convidam a um instigante rodeio pelos espaços urbanos. Não satisfeito, quer mais! Tatuado na pele, barras que decodificam caminhos! O autor insiste e incita à descoberta de infinitas e singulares personalidades em um único ser...
POETA! 
Khaled Delgado, médico/músicopoeta/louco, Rio/RJ, julho 2007, 4ª capa do referido livro.


A barra poética
Sérgio Gerônimo, depois de PANínsula, livro-pesquisa que reescreve as viagens pela Península Ibérica, e de Belabun, livro de poemas bem-humorados e irreverentes, retoma a linha de Profanas & afins, Outras profanas e Coxas de cetim. Neste sexto livro, Código de barras, o autor reafirma as escolhas anteriores para a sua trajetória literária. A temática fundamentalmente se subdivide em amorosa, social e reflexiva. No primeiro caso, registramos a visão amorosa sempre marcada pela sensualidade e erotismo, com várias referências ao corpo ou ao sexo (Meu presente, I like the way, Sexolfato); no segundo, a denúncia das diferenças sociais se explicita, com poemas de grande força como Cadáver ou Trombada social; e no terceiro, dá-se o questionamento da existência (Sísifo, Tempero, Juízo final) e da própria poesia (Matriz, Fragrância).
Sendo poeta do século XX, ele não tem como fugir à questão do pensar a matéria da poesia e, ainda que não privilegie os textos metalingüísticos, dedica bastante atenção ao significado de ser poeta (Sei que sou poeta...) e ao que significa a poesia (Poesia é).
Como em livros anteriores, o poeta realiza uma poética da sugestão, ou melhor, da insinuação; o objeto não é definido, mas insinuado. E é justamente  nesta não descrição do objeto que a linguagem se realiza como literária. Sérgio Gerônimo sabe que um poema não tem código de barras de imediata e fácil leitura. Ao contrário, a barra aqui é outra, é a da diferença. E é nesta diferença que a poesia se instaura.             
Marcus Vinicius Quiroga
Poeta, crítico literário, jornal Rio Letras, Rio/RJ, julho 2007.


Código de barras, de Sérgio Gerônimo (Rio de Janeiro: OFICINA Editores, 2007)
Poeta de feição marcadamente coloquial, Gerônimo constrói seus textos como quem conversa. Não que sua poesia seja basicamente oral. Mas seus poemas – a maioria escritos na primeira pessoa – investem na tônica do depoimento, como se o poeta estivesse prestando testemunho – e até se desculpando? – pelo fato de fazer versos, principalmente na parte intitulada ‘O poeta enfrenta as barras’. Pois se por um lado, a palavra “barra”, associada a “código”, pode indicar a identificação de qualquer objeto ou produto em mercado, por outro, na gíria, “barra” pode significar uma situação complicada de resolver, de difícil enfrentamento, como, no caso, fazer (boa) poesia. Porém Sérgio Gerônimo acredita no que faz e a leitura deste livro, afinal, é altamente compensadora. Vale a pena investir na sua poesia.
Fernando Py – poeta, crítico, in Tribuna de Petrópolis, 19/09/2008; caderno ‘Lazer’, f. 5, Petrópolis/RJ.


Sérgio Gerônimo — Presidente da APPERJ (Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro)
Considero Sérgio Gerônimo, na reunião de suas obras, um dos poetas mais brilhantes da Poesia Contemporânea Brasileira. Na oportunidade de conhecer todo o conjunto de sua obra, pude ter a grata satisfação de constatar a grandiosidade da poesia deste autor.
Eurídice Hespanhol, Poeta, coordenadora do evento poético Poetas Sem Fronteiras, Rio/RJ, 24/01/2008, Comunidade Totalmente Sem Fronteiras/Orkut.


Oi, Sérgio, ando fazendo uma nova proposta para trazê-lo para uma visita ao nosso campus para completar o convite que fiz no ano passado e me pediram para traduzir seu poema Summer Breeze. Será' uma tradução informal, somente para o fim das propostas, que NÃO vai ser disseminada. Meu primeiro passo antes de te escrever foi fazer uma tradução na minha cabeça, mas me enrasquei com a palavra naiamente" em "e o palace II, vejam so'! naiamente enterrado." 
O que quer dizer com esta palavra? E tenho a sua permissão para fazer essa tradução especifica para as propostas?
Um abraco,
Ines Shaw, professora universitária, em Nova York, USA, por e-mail 15/12/2009, 16:16h.


Lindo é “Mary Columbus” (in Código de barras). Um épico poético! Algo que devia estar escrito em todas as paredes do Méier.
Eurídice Hespanhol, poeta, professora, coord. do Movimento Poético Poetas Sem Fronteiras, Rio/RJ. Pelo Orkut em 25/01/2010


Sobre CONVERSA PROIBIDA (coautoria a Flávio Dórea) –

O livro de Flávio Dórea & Sérgio Gerônimo nos leva a estes confusos sentimentos, a este labirinto de ideias, mas também nos faz sorrir em vários momentos. Aquele sorriso maroto, como quem diz: ─ que achado! E nos traz à mente a figura de um animal mitológico: muitas cabeças, pernas e braços... Porém um único ser. Iconoclastas e irreverentes ─ o sagrado e o profano, sempre! ─ os dois poetas levam às últimas consequências os seus atos e a sua Poesia.
Laura Esteves, poeta, contista, 2009, pertence ao Grupo Poesia Simplesmente, excerto da aba do referido livro.


Parafraseando o poeta, tudo vale à pena se nutrido pela poesia.
Neste livro, os rostos, os corpos, as línguas, as palavras de dois amigos-poetas se juntam, se reconhecem, e o poema e a poesia se enchem de alegria e lhes dizem: “obrigado!”
Tanussi Cardoso
Poeta e jornalista, 2009, Presidente do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro, excerto do Prefácio do referido livro.


...Sérgio Gerônimo & Flávio Dórea afinam versos apaixonados para serem falados, ao vivo, em cena aberta, num único ato, seja nos saraus do botecos, seja na ribalta de um anfiteatro. A experiência contemporânea de dar voz ao que, nos poemas, fala em silêncio sobre o dito pelo não dito das palavras, atiçou aos poetas encararem o desafio do novo tempo com a certeza de, em tempo real, ultrapassar os interditos e ir além do imediato.  Viraram-se ao avesso e, poetas travessos, deram-se ao prazer de fazerem-se presentes ao que, no futuro, superará o passado. Afinal, como eles mesmos proclamam: o prazer vive de pernas para o ar!
Tavinho Paes, poeta, 2009, apresentação do referido livro.


Nessa insólita via-crúcis, deparamo-nos com um poeta / profeta crucificado pelo mundo moderno, e eleito, num batismo pagão, para espalhar seu canto. Novamente o vocabulário de matiz religioso sugere a canonização da Palavra, sagrada porque poética. Na releitura de convenções, tem-se a sugestiva bênção profana, feita a partir de fluidos orgásticos, como instauradora de um novo código, o da vida / poesia que irrompe do prazer. Nas sugestivas imagens de contornos eróticos, a delicadeza do toque no outro, interlocutor da proibida conversa que nem por isso deixa de ser proferida. No entrecruzar de textos e posições eróticas / ideológicas, surge um poemanocio que toma forma e ganha a rua, permissivo e promissor, desfilando em um cenário tipicamente calígula. Poema que se entrega, lascivo, a todos, em bacanal poética, para ser reverenciado, em textos que dispensam / recusam explicações, numa (sub)versão em que a afirmação se dá pelo viés do inadequado, gauche aos olhos do bom-senso ou do senso-comum. Nesse banquete, isento de preconceitos e pleno de sabores, tornamo-nos convivas e interlocutores da conversa que ali se desenrola.
Conversa proibida? Proibido é não ler.
Tatiana Alves, poeta, contista, professora universitária, 2009, excerto do Posfácio do referido livro.


Conversa proibida é o cruzamento de muitas coisas que, em outras épocas, se separavam ou se contradiziam, mas que, na correnteza do nosso tempo, se entrefecundam. É, por exemplo, um livro de poesia escrito a quatro mãos: coisa rara ainda hoje. Ele se encontra entre a poesia lírica e a poesia dramática: poesia lírica no ponto da ebulição dramática, poesia dramática no ponto da contemplação lírica. E se, desse modo, os gêneros literários se confundem e redefinem, isso ocorre, não por mero exercício estilístico, mas como parte da descoberta e da celebração da matéria poética da vida contemporânea, cujos gêneros também se confundem e redefinem num turbilhão de desejo e criação, nylons e néons, livros antigos e celulares perdidos, língua e tesão, quartos sujos de motéis baratos e saltos altos, rimbauds e abismos, jogo e poesia. Vale a pena deter-se nas esquinas verticais desse livro vital e belo.
Antonio Cícero, filósofo, poeta, 2009, na 4ª capa do referido livro.

Caríssimos Sérgio e Flávio, muito boa a CONVERSA PROIBIDA...
O título já demonstra o grau de literariedade da obra, uma vez que a palavra literária guarda em si a magia do que é e do que não é. Assim, as ambiguidades, as metáforas, as aliterações, os jogos, os paralelismos, tudo constrói a cena dos autores que dizem "as palavras na voz de um poeta / viram canções" e convidam os leitores à cena em que a palavra é o mote principal.
Abraço.
Luiz Otávio Oliani, poeta, autor de Espiral e Fora de órbita, por e-mail em 11/8/2009, 17:53h.

Vocês não precisam agradecer a ninguém, nós é que nos sentimos felizes de poder
participar de um evento do nível artístico que nos foi oferecido. Quem não foi é que
perdeu. Agradeço a homenagem do epígrafe, singela, terna e que me fez lembrar a  Messody que sou. Bjs. E ficamos aguardando novas performances, pois ficou um gostinho de "quero mais". 
Messody Benoliel — presidente-fundadora da APPERJ — Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, por e-mail em 12/08/2009, 05:25h.


 “O trabalho que vocês fizeram é simplesmente fantástico. Conversa Proibida tem que virar referencial da poesia aqui no Brasil. É um trabalho da maior seriedade”.
Conversa Proibida é a afirmação de que a palavra tem vida própria e que o poeta é apenas o veículo de sua manifestação. Talvez por isto este livro seja tão verdadeiro, e de certa forma imaculado em sua essência, pois independente da vontade de seus condutores, e eles, não tenho dúvidas respeitaram esta visão; é vivo e assim o permanecerá por muito tempo.
Pobre destes poetas, servos da palavra e de seus “parimentos”, servos da poesia e de suas amplitudes... Ainda assim eu os saúdo e bendigo pela coragem de se prestarem ao desentranhamento de tão belos versos.
Conversa Proibida é, certamente, um dos melhores livros de poesia que tive a oportunidade de ler, uma obra que deve servir de referencial e fonte de inspiração para muitos outros, pela coragem, pela profundidade e pela sinceridade de seus autores.
Bendigo a comunhão destes dois poetas, pois mantidas as suas individualidades conseguiram gerar pura poesia para permanecer por muito tempo em minha mente, em meu coração.       
Naldo Velho — poeta, ativista cultural, coordenador dos eventos: MÚSICOS CONVIDAM POETAS, em Niterói/RJ e “TODAS ELAS E ALGUNS DELES”, no Rio/RJ, por e-mail 01/09/09, 12:51h


Sérgio fiquei 'literalmente apaixonada' pelo teu livro CONVERSA PROIBIDA!
Os textos eu já imaginava ke eram um espetáculo (tanto ke foi) agora toda a configuração, as fotografias, o ótimo papel, todo o arranjo e disposição está magnífico. Parabéns mil vezes. Faz parte dos meus favoritos.
Mais uma vez PARABÉNS por tão espetacular trabalho. Na minha modesta opinião é o marco da tua excelente carreira de escritor, idealizador, editor e tantas outras facetas da tua 'nada mole vida'
Milhões de Beijos da tua sempre amiga,
Anna.
Anna D’Castro — atriz, poeta, autora de Aquela Voz (Oficina Editores), por e-mail, 16/09/2009, 12:35h.

A epopeia de vocês é imortal. É uma voraz busca pelo CORPO UNIDO À PALAVRA. Implica numa defesa de vida pelo corpo, pelo talento, pelo sentir corporal que amaina, suaviza, eleva e permite o que deverá ser a única sobrevivência possível após nosso tempo nefasto. Interessante que as páginas não tenham numeração. Invejo até isso do livro, pois à parte do real está tão bem incorporada ao imaginário, que tudo não passaria de ficção da dupla de escritores! Exageraram! E mais que tudo: fui eu quem não escreveu aquilo tudo... Isso me dói; isso me chateia um pouco! Dá-me inveja! “ah! cultura relativa inútil... afrontam, afloram a alma, sem pernas, sem calça... duvidosa moral...”
‘Pelo dia de finados se finando, divirtamo-nos com ou sem inhame’.
Valeu, não valeu?
Ótima obra escrita a quatro mãos em forma coloquial, vital, saudável, trepidante e... em feitio de uma epopeia... VIRTUAL.
Da companheira de estrada, Juju Campbell, escritora, diretoria da UBE/RJ, por carta datada de 07/11/2009.


Parabéns Sérgio! Vcs arrasaram! Foi lindo!
E que venham mil palcos à frente!
Barbara-Ella, poeta, performática do Grupo Instintiva Lavanda, Orkut, 11/08/2009.


Sérgio Gerônimo & Flávio Dórea, falar de "CONVERSA PROIBIDA"  sobre qualquer ângulo ou mesmo sobre qualquer enfoque, nos leva a repensar sentimentos. Concordo com Naldo Velho quando afirma ter que virar referencial da poesia no Brasil, por se tratar de  poesia séria e que revolve nossas entranhas, deixando-nos mais poetas do que imaginamos ser. O diálogo in "Conversa Proibida" tem abertura plena, onde a palavra cresce e enaltece  os valores subjetivos, tão bem guardados até então.  Digo mais:  aberturas assim nos levam a crer no amor-carne, no amor-paixão e porque não afirmarmos, no amor-solidão? São as constantes buscas, as tentativas plenas e sem preconceitos, que nos tornam mais seguros quando nos questionamos, questionando um parceiro, fazendo-o nosso  algoz  ou mesmo uma vítima de si mesmo, quando preso se encontra em seus conceitos. Prossigam poetas, deixando-nos assim, desejosos de mais poesia, in Conversa Proibida.
Messody Benoliel,  Presidente-fundadora da APPERJ — Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro, por e-mail 24/11/2009, 04:12h.


Sérgio Gerônimo. Você é um grande poeta. Sou seu admirador.
Cláudio Murilo, escritor, presidente do PEN Club, por e-mail 14/12/2009, 17:01h.


CRÔNICA DE 14.01.2010, que inicio registrando um livro “sui generis”, em versos livres, com tendência a uma prosa (poética), hermético, difícil de definir, porque se trata de uma “conversa íntima”, dita em surdina, ao pé do ouvido; um desabafo num ombro amigo, uma confissão num canto isolado de uma igreja, embora registrado em 128 páginas, ao alcance de qualquer um. Li, inicialmente, para me alicerçar no conteúdo da obra, a apresentação de Tanussi Cardoso, o posfácio de Tatiana Alves e a exaltação ao texto, de Laura Esteves, nas “orelhas” do tomo. Origem: Rio de Janeiro – RJ.
São poemas emblemáticos, se posso assim situar, escritos entre quatro paredes, que falam por eles mesmos, sem interferências, sem intimidações, sem imitações e sem se importar com o dedo profano de terceiros. Linguagem corrida, sentida, sofrida, gozada e de caráter único. Não se assemelha a nada que tenha lido, a não ser a tendência a autores do gênero e suas peculiaridades (ou particularidades). Um livro sóbrio, direto, objetivo, sem apelos e sem muros. Ressalto a espontaneidade dos versos e o equilíbrio entre os textos, sem altos e baixos, e a perfeita revisão. De parabéns os autores, Sérgio Gerônimo e Flávio Dórea, embora não tenha distinguido, no trabalho, onde um começa e o outro termina. Seguem aplausos a ambos os poetas pelo volume que agora folheio e pela coragem de adentrar por caminho tão sinuoso e denso. Um fragmento para o leitor (de uma página qualquer), que o livro não é numerado:

esquisito, não?

este poema de salto alto
roubou-me as horas madrugadas
fez-se companhia, como já disse, atrevida
e com dedos ágeis de tudo sei
preencheu o vazio até então
conhecido das minhas entrelinhas (...)
Humberto Del Maestro, poeta, crítico, In Literatura & Arte, Ano XVI, janeiro de 2010, nº 1589, Vitória/ES.


Crônica dos Amores

Vamos conversar...
Conversa proibida é a excentricidade, a excepcionalidade da poesia na mão de vários homens Sérgio Gerônimo e Flávio Dórea e tantos outros que se calam na multiplicidade de numa mesma alma.
Essa narração confere ao homem que escreve um poema para sua própria alma, confessando seu amor, sua angústia, sua decepção – poema narrativo, quando ainda luta para agarrar-se ao amor. Repare, amigo leitor, o poema já traz em si a temática das paixões homo e heterossexuais.
Não há dúvida que as questões apresentadas na obra sejam muito mais complexas. Será necessário ter olhos de lince e a leveza de uma pena para captar as sutilezas da ordem em questão: O Amor. Não se trata de uma mera oposição entre natureza homem verso homem, mas a sutileza do cerne, da biologia, da genética. Não tão só explicada pela educação a que nos submetemos e somos educados. Tangencia o lado religioso, uma conferência barroca de almas conflituosas e ao mesmo tempo corajosas que lutam por uma nova ordem.

“encurtado os encontros e desencontros
o rápido e o breve
como um flash intrometido
ansiava estar pronto
ao que indicara
ser a ciência do ato – a permissão.” (Conversa Proibida)

A obra não tem a pretensão de tratar da dicotomia homossexual e heterossexual, mas da natureza do homem revestido dele mesmo. Afinal os seres humanos são capazes de manter vidas sexuais que pareçam contrariar seus mais profundos desejos.

“Todos nós possuímos uma caixa preta dentro do nosso corpo visível. [...] e as vontades mais secretas de nossas bibliotecas-espelho, um alterego padrão, ou melhor, patrão [...]”

Os versos não contrariam o ato homoerótico e ao mesmo tempo não justificam a sexualidade não normativa ou desviante, pois seus versos-argumentos estão depondo a favor da natureza desse homem, o homem que sente a prática sincera do seu sexo.

“ele ou ela
munidos de mandingas e
frequências malandras
reproduzem o cotidiano
de todos os seres
tão obedientes quanto desconfiados
dos resultados que poderão se apresentar
ao paladar sôfrego
de um outro paladar.” (idem)

Não julgo que o processo poético caminhe pelas veredas dos rótulos. Talvez os preconceituosos estejam pensando de forma bastante cartesiana e analisariam como uma obra basicamente homossexual.
Pensemos na essência. Considerada por todos como o caminho do próprio conhecimento com a máxima citada por Platão γνθι σεαυτόν “conheça a ti mesmo” e pedra angular da filosofia de Sócrates.
Com base na obra de William Naphy, percebemos que “o essencialismo” sugere que a , por exemplo, não é apenas uma predisposição genética, mas algo fundamental e decisivo para identidade de um indivíduo (portanto, mais como a condição de judeu, que tem conotações étnico/genéticas e religiosas/culturais — Naphy, William. Born to be Gay, História da Homossesualidade. p.14).
Entretanto não podemos esquecer que a sociedade reage de maneira diferente aos rótulos. O importante é que essa identidade é verdadeira e inerente ao indivíduo e à condição humana. Sergio&Flávio é a identidade, são, verdadeiramente, aqueles que entendem a vida como a pluralidade de sentido porque ele/ela vive numa sociedade de invólucros e que ainda classifica em categorias comportamentais os homens.
“Conversa Proibida” é a obra mais liberada e um sincero bate-papo entre amantes que arrastam uma existência de vida. São versos que desnudam e rasgam a própria carne:

“sacrifique o caos reinante
por uma paz articulada
entre o gozo e um possível fingimento”

Se me permitirem, caro leitor, divagar em meus loucos pensamentos. Conversa proibida é o que está velado entre os amores. O que está selado entre dois homens-amantes, onde as veias pulsam, vibram e bombeiam o sangue fresco da obra poética. São eles que oferecem um revolucionário, mas não original, jogo de narradores – dentro de um imenso monólogo. O “eu” é o “outro” (ele) sem fronteiras. São casados? São amantes? É uma única identidade, uma incógnita absoluta.
É “Esaú e Jacó” apaixonados. É outra história de amor. É o conto bíblico revisitado. Um amor sem barreiras, sem fronteiras. Amor que questiona corajosamente a construção “alicerçária” de qualquer casal com suas multiplicidades de visão. Ou mesmo, a DI-VISÃO que une e eterniza.
Mozart Carvalho – poeta, professor, www.mozartproducaotextual.blogspot.com , maio 2010


Aqui, estou com o livro Conversa proibida, dos poetas Sérgio Gerônimo, Presidente da APPERJ e Flávio Dórea. O livro é lindo, representa o perfeito entendimento, a realidade una entre os seres quando há uma harmonia de propósitos. A edição, da Oficina Editores é primorosa, em papel couchê e ilustrado com fotografias feitas por Tuna Borges de Sérgio e Flávio em excelente trabalho.
A capa de CONVERSA PROIBIDA, selo APPERJ e feito na Oficina Editores é realmente uma pista sobre o conteúdo, mas apenas com a leitura , pode-se captar a essência desse poemário masculino onde a identidade é substituída pela generosidade da entrega.
CONVERSA PROIBIDA, o livro é impactuante.
Quando a generosidade da harmonia verdadeira, permite que mesmo a autoria de um abrace a do outro, desaparecendo o quem é quem, temos um sinal inconteste da amizade e da perfeita programação de um trabalho poético que não é apenas um ajuntado, com bons resultados, de poemas.
Há encaixe mais-que-perfeito. As palavras são contas de murano enfiadas em um colar único.
Da capa sugestiva ao conteúdo, passamos por fotos excelentes, de Tuna Borges e nos debruçamos sobre rico e variado contexto.Visualizamos com o terceiro olho, com o olho interno, com os olhos da alma-Argos e Cíclope ao mesmo tempo, dos cem olhos captadores, ao único bastante, uma POIESIS da mais intensa qualidade.
Vejamos a tentativa de definir a palavra inicial dessa estrofe. Ela, ativa, desenrosca-se de seu bojo lato e mostra a dinâmica da busca, no segundo galho dessa planta viva: "Tentação: tentativa mais do que ativa
em vias desativadas por um desejo
em cada vão uma questão exclamada
a cada ação a sinuosidade sem vírgulas"
Movimento propositalmente sinuoso, serpente kundalini desespiralando-se do eixo base, no cóccix de gêmeos siameses, os poetas que se autodoam, que se entregam a ponto de se perderem de si e se encontrarem no OUTRO. Novamente, a imagem ofídica vem-me à mente: Oroboro, a alimentar-se de suas próprias entranhas. Quem é cabeça ou quem é ponta de cauda, impossível saber, exceto pelo confiteor a posteri ou algum conhecimento anterior de algum dos versos.
Que importa, na des/identidade, o gênero? Isso clarifica-se numa sonância de mar que arremete-se contra a rocha:

"aquele menino
ensaiava arriscadas arremetidas
seduzia - ares de menina
e os corpos o atraíam
e o traíam
sem qualquer conatação
de serem machos ou fêmeas"

Contenho o desejo de analisar um a um, cada poema, pois a poesia não precisa de explicações. Bastam-me, para amostragem leve, entre tantos exemplos de consistência e descrição de desejo, de voo e nado, coito verbal e essência iluminada, palco e vivência, olhar e sentir, dramaticidade e lirismo, as duas estrofes acima. Ou poemas completos: em cada página, uma filosofia de viver, uma poética de receber: pluma e diamante.
Crédito da Foto (em minha estante): Clevane Pessoa
Na capa, Sérgio Gerônimo e Flávio Dórea, os autores.
Clevane Pessoa, in Mural dos Escritores - Livros , autores e eu www.muraldosescritores.ning.com , em 11/02/ 2010, 18:46h.


Sobre Conversa proibida, evento poético, no Up Turn Bar, Barra da Tijuca, Rio/RJ

Sérgio Gerônimo:

O blog www.sgconversaproibidafmd.blogspot.com , da festa está LINDO!
Parabéns você  merece tudo de bom que a vida pode dar!
Claudia Luna, poeta, diretora da ONG Nosso Papel, idealizadora do projeto De coração para coração – poetas em ação; coordenadora do Ponto de Cultura Fazendo a Diferença em Paquetá, Rio, RJ, por e-mail 1º/06/10, 12:32h.


Muito bacana mesmo!
Palavras ditas com expressão forte e na medida, cenário já consagrado desde a Bienal, fundo musical muito bom, texto e atuação de um Sérgio G. que vem crescendo (ou se mostrando mais?) e se aprimorando com carinho e rigor. Parabéns.
Vera Versiani, poeta, musicista, autora de “Nada para humanos”, Rio/RJ, por e-mail 02/06/10, 11:23h.


Sérgio,
Tua voz já nasceu pronta,
As apresentações a cada dia melhores, superando de longe aquele Sérgio que não decorava os poemas...
Parabéns! Parabéns!
Eurídice Hespanhol, poeta, coordenadora do projeto cultural Poeta Sem Fronteiras, Rio/RJ, autora de “Lírios no deserto”, pelo Orkut, 02/06/10, 00:11h.


Sérgio Gerônimo (um nome que se destaca em qualquer parte geográfica)
Tomo a liberdade de escrever-lhe no sentido de saber como vai o ilustre poetamigo? A semana passada estive relendo algumas poesias de seus sábios pensamentos e da sua prosa, o que você comprova que é um dos melhores escritores brasileiros. A sua mensagem explode com rara sensibilidade e escreve como ninguém. Você é realmente um grande talento e os seus livros são da mais alta qualidade. Parabéns. Receba os meus aplausos.
Atenciosamente. 
Luiz Fernandes da Silva, poeta, jornalista, criador do jornal Correio da Poesia, João Pessoa/PB, através de carta datada de João Pessoa, PB, 28 de março de 2012.

Bom dia, Sérgio! Amanhecendo, ainda na cama, peguei a coletânea dos 25 anos da APPERJ e abri em qualquer página, como gosto de fazer para ver que mensagem me está reservada, naquele momento. Caiu no seu "Poetando". Que coisa linda! Tão belas pinceladas literárias que pude enxergar o quadro todo do evento de poesia. Banhei-me. Ver... sentir... me fez muito bem. Obrigada por este raiar do dia. 

SOBRE MARY COLUMBUS

Sérgio,
recebi hoje seu livro e já estou na metade da leitura... Ele vai de encontro a duas perguntas que sempre me fiz: a primeira é de 1994, quando publiquei "Olívia, a que não era Palito ou Alucinações com a desova da pupunha". Era também uma poesia-crônica que teve uma repercussão tão boa que indaguei o porquê dos poetas não enveredarem mais por este campo; a segunda é mais recente, de 2008, quando eu participava no meu Doutorado da UFRJ de um grupo de estudos acadêmicos que tinha como objetivo examinar mais atentamente as literaturas finisseculares. E ao mergulhar em João do Rio amei as crônicas da "Alma encantadora das ruas", em que ele retrata a via pública como "moradia para o flanneur", que perambula entre riscos, surpresas, incidentes, acidentes, cenas, sempre em contato com os mais variados tipos de pessoas, de relações e reações. Desde aquela época me pergunto também o porquê dos poetas não registrarem esse sadio "bater pernas", esta salutar vadiagem pelo cotidiano do Rio, pelas ruas do centro e do subúrbio, mostrando o povo que anda a pé, exposto e disposto a viver o que vier.
E eis que me chega Mary Columbus e grita: ei, olha eu aqui preenchendo as lacunas, desfilando nas avenidas das ruas e da vida.
Parabéns por este feito, você conseguiu criar uma poesia-documento da nossa realidade hipertextual, com seus frames, contradições e perplexidades, unindo dois séculos — os personagens do final do XX com os "objetos cênicos" e linguagem do XXI —,  e apresentando uma carnavalização dionisíaca, greco-nacional, bem ao ritmo das batucadas e odisseias dos tempos atuais. Obrigada pelo envio.
-E-MAIL- seg 09/11/2015 20:12
Leila Míccolis
Mestra, Doutora e Pós-doutora em Teoria Literária (UFRJ), escritora de livros, TV, teatro e cinema
http://www.blocosonline.com.br/sites_pessoais/sites/lm/index.htm 
Blocos: http://www.blocosonline.com.br


Ola' Sergio, foi um grande prazer receber o seu livro Mary Columbus!
Já li as várias respostas/comentários/criticas sobre o livro nas abas, no início e no finzinho. Abriram a minha curiosidade não só por causa do aspectos do gênero literário, mas também porque foi posto num contexto literário histórico.  Não tenho o contexto do Méier, o que me levará a conexões novas com minhas experiências bairristas.  
De modo que começo agora a enveredar sobre o seu caminho literário para conhecer a Mary Columbus. No futuro, poderei comentar mais.
Muito obrigado por ter compartilhado do seu trabalho. Não imagina como o nosso contato, com você, Mozart e APPERJ, me levanta o espírito!
Meus votos para que este livro tenha uma recepção ativa e borbulhante para que dê muito o que falar e revirar!
Um abração.
E-mail - ter 17/11/2015 18:47
Ines Shaw, Assoc. Prof. of English & Latin American Studies Program Coordinator, at the State of New York Nassau Community College campus in Long Island (USA).

  
Recebi hoje seu livro mary columbus: fenomenal! Além de tudo, bem documentado com comentários, até e-mails! Não falta nada! O livro merece mesmo terminar com o excelente conto da Márcia Leite. Já faz parte da Biblioteca da IWA.
Por carta de 16/11/2015
Teresinka Pereira, presidente da IWA - International Writers and Artists Association, Ohio (USA)

Um texto diferente e, parece-me, diferente de tudo que você mesmo fez antes, embora seja possível reconhecer perfeitamente a sua dicção ao longo do trabalho. Não sei se seu poema-crônica é um canto ou um desencanto ao Méier. Seja como for, incorpora muito bem a linguagem malandro-suburbana, ao mesmo tempo que a transcende pela fusão com sua formação erudita. Mas eu, que já morei no Méier e em vários outros subúrbios também (na infância, até os 14 anos), pude entender e rever muitos dos cenários descritos. “Barracos” por motivos passionais, como alguns que você descreve, são de fato comuns. Briga entre vizinhos, tiros, carros da polícia surgindo de repente. Seu poema tem características de hipertexto. Amiúde você abandona o ritmo da narrativa para entregar-se ao jogo poético das palavras que se atraem. Aliás, não vi bem o livro como uma narrativa, um romance ou conto propriamente. Está mais mesmo para a poesia-crônica. Um livro marcado por episódios. E você nem titubeia em sacrificar, frequentemente, a sintaxe em favor do efeito poético. Há que também mencionar, claro, o forte erotismo, presente na obra o tempo inteiro. As frases dúbias e até mesmo sexualmente explícitas. O retorno à aventura das coxas de cetim, a presença tentadora de seios e glúteos. De bolas humanas absurdamente agarradas em ônibus. Absurdamente? Não, são coisas que acontecem mesmo por aquelas bandas. Uma amiga, de mais de 60 anos que mora no Méier, por comiseração, resolveu aceitar assunto de um homem bêbado, desiludido, de 71 anos, num ônibus que ia pro Méier. Ela acabou tendo de saltar do no meio do caminho, porque o cara se empolgou, começou a chamá-la de “fofinha”, a tentar abraçá-la e envolvê-la pela cintura. Ela tentou primeiro simplesmente mudar de lugar, mas o cara foi atrás. Todo o mundo olhando para ela, um vexame. Desesperada, sem saber mais o que fazer, saltou do ônibus, no meio do caminho, cheia de embrulhos e sacolas (rs). A realidade, como sempre, supera sempre, em muito, a mais delirante ficção. Espero que minha opinião tenha contribuído.
Um grande abc,
Ricardo Alfaya
por e-mail 22/11/2013, às 22:47h


A ESTRELA SOBE E DESCE
SÉRGIO GERÔNIMO possui todos os títulos de um intelectual engajado na cultura contemporânea do Rio de Janeiro: de psicólogo a poeta (popular e erudito) e daí a editor e à política literária, no sentido de que promove e participa de tudo que diz respeito à vida literária da cidade maravilhosa. Além dos seus livros publicados (mais de dez), é o fundador da Associação Profissional dos Poetas no Estado do Rio de Janeiro (APPERJ) e um dos principais responsáveis pelo Festival de Poesia Falada no Rio de Janeiro. Pertence a muitas das inumeráveis academias que enchem de reuniões as tardes da vida social e profissional da intelligentzia carioca, não se falando de suas experiências culturais nos Estados Unidos e na Áustria e de seus poemas traduzidos nas principais línguas do Ocidente. Tive recentemente o prazer (e a honra) de ler e reler os originais de seu novo livro de poemas, a ser brevemente publicado. De poemas? Tenho lá minhas dúvidas retóricas. Mas, emendando Mário de Andrade (que repetiu o uruguaio Horácio Quiroga), para quem “poema é tudo aquilo que seu autor diz que é”, pode-se dizer que os “poemas” do novo livro de Sérgio Gerônimo – Mary Columbus – deixa o leitor metido a teorias com a pulga atrás da orelha: será só “poema”? Ou é também “crônica” em verso (versos livres, libérrimos)? Será mesmo “romance”? Simples “folhetim”. Ou é também “teatro”? É tudo isso e mais alguma coisa, mistura dos gêneros mais conhecidos, tanto que o próprio autor não vacilou em escrever e repetir entre parênteses que Mary Columbus pode ser “poema crônica de um romance contado – puro folhetim teatral”. E claro que podemos acrescentar: é também crítica literária, musical e de costumes da vida boêmia e suburbana. E mais, uma leitura parodística e intertextual, com muito humor crítico, do belo romance de Marques Rebelo, A estrela sobe, que no fim da década de 1930 trouxe para a literatura brasileira o tema da vida suburbana, com o sonho das adolescentes de brilhar como cantoras na Rádio Nacional. Sérgio Gerônimo traça em versos a história da garota desejosa de se exibir em Copacabana, consciente de que era “eclética, quase epilética, malha fina”, espécie de refrão que descreve com muito humor o seu comportamento nos bairros boêmios do Rio de Janeiro, Lapa e Praça Mauá, em torno do edifício A Noite, onde existia a Rádio Nacional e até hoje, à noite, a vida fervilhante da boemia. O lado literário ganha relevo com a paródia de um conhecido poema de Vinícius de Morais e, principalmente, com a parte surreal, assim denominada e que serve, a meu ver, para caracterizar o modo da linguagem irônica e humorística usada neste livro de Sérgio Gerônimo, onde o passado da década de 1950 se mistura carnavalizada com o presente da atualidade, da Cinelândia ao Méier:
mary andava toda literata
mais parecia testemunha de jeová
a cada dia um livro debaixo do braço
foi quando para suavizar as axilas
aproveitou o barbeador do tal aproveitador
do sono do seu travesseiro vizinho
depilando ou barbeando também
os cabelinhos das ventas
pelinhos adjacentes
e pentelhos sinistros
bem! os livros? comprou-os
nos sebos do centro
nas barraquinhas das feiras cinelândia/saens peña
nos camelôs-livreiros do jardim do méier
leu todos e tudo
de bulas de remédio a classificados desclassificados
No momento em que a literatura brasileira, depois de tantas experimentações estéticas, de verdadeiros e falsos vanguardistas (quase sempre estimulados pela crítica dos jornais), anda atrás do equilíbrio criador, vejo o livro de Sérgio Gerônimo como uma grande e genuína sátira não só à vida literária, mas também a todo sentido cultural da sociedade urbana e suburbana do Rio de Janeiro.
Gilberto Mendonça Teles
Rio de Janeiro, 27 de novembro de 2013


A ARMA DO NEGÓCIO
Eis aqui uma obra realmente diferenciada.
Não quis dizer “original” – um atributo hoje bastante questionável, depois de tantas experimentações – muitas delas infrutíferas – no campo literário. Apresentada em forma poemática, ela não apenas incorpora estilemas de outros gêneros como menospreza alguns tradicionalmente reconhecidos como próprios do poema. Ao invés da solene figuração e do ritmo motivado, que são dois dos mais básicos, temos uma expressão plenamente liberada, realçando paranomásias e trocadilhos, numa dicção predominantemente direta, gerando um texto que por isso deriva do poético ao narrativo e ao descritivo. O narrativo põe em ação uma personagem marcante, a Mary Columbus do título, e exibe sua vida condensada no interregno de uma semana; o descritivo se volta para paisagens cariocas, principalmente do subúrbio, mas com indispensáveis incursões pela zona sul. Nesses ambientes, ela contracena com figuras típicas de ambos os espaços, com plena desenvoltura, de um extremo a outro, com
“um olho nas
orações beatas / e outros nos sexshoppings”.
Essa desenvoltura se volta sobretudo para o campo dos impulsos sensoriais, harmonizando liberdade de expressão com liberdade de comportamento. Mesmo com todas as suas limitações, particularmente as econômicas, Mary é senhora de si, sabe o que quer e o que faz, enfrentando preferencialmente a noite boêmia, sem receio de qualquer consequência. Afinal, numa das passagens mais expressivas de todo o texto, ela “aprendeu que a sedução / era a arma do seu negócio”. A “arma”, não a alma, pois que aqui quase tudo é corporal, e não apenas o corpo-a-corpo do sexo, mas o corpo-a-corpo com a dura realidade social. Ao ler estes poemas, parece que estamos ouvindo e vendo Sérgio Gerônimo em ação, ao lado de Mary – ele, que é um dos mais típicos agentes da cena poética carioca de hoje.
Pedro Lyra
por e-mail 08/05/2015, às 16:20h

Caro Sérgio Gerônimo:
Achei uma proposta original e com muita vivacidade narrativa – num registro coloquial
que às vezes corre o perigo de confundir-se em demasia com a prosa.
Um abraço, Secchin.
Por e-mail: quinta-feira, 27 de março de 2014 10:04


Mary Columbus é híbrida: poesia, crônica, romance, folhetim, teatro. E não há "chat" que possa resolver os enigmas de amarrações tão bem tramadas... Colombina irrompe do papel viva, explícita, exuberante, cercada de contextos por todos os lados, para narrar (interpretar?) uma vida marcada pelo subúrbio do Méier, que, na obra de Sérgio Gerônimo, se expande além do pitoresco 455 e envereda pelos caminhos de uma cronologia semanal em que o tempo da memória transgride, fazendo festa, o tempo dos ponteiros. Carnaval! Mulher de adereços e endereços, dona/dono de um fogo que "bombeiro" algum apaga, Mary se esparrama pela cidade, levando com ela (ela?) múltiplas outras mulheres (Juju, Marlene, Emilinha, Neudy, Nury, Carolina, Veríssima, ...),
numa espécie de resgate coletivo da intensidade que se vive nos meandros de um subúrbio itinerante, nada monótono, assumido, "pão na chapa e mixto quente", onde o castelo real é o "Imperator". "Mary I e única/soberana e soberba(na)", "rainha do Méier", é o canto de "um metro e oitenta" de Sérgio Gerônimo, que, nesta obra, integra definitivamente Méier e Musa, pompa e circunstância, mulher e homem, vida e alegria. E eu, que também "sou do Méier", aplaudo, cúmplice, o resultado!
Christina Ramalho
poeta, em uma das abas do livro


Gente Fina
Para conhecer Mary Columbus é preciso antes ter uma ideia de onde ela surgiu. Pensemos que é com o conhecimento das origens, que nos permite entender de que pessoa falamos. Quando a vida é poesia, nossa discussão sobre Mary torna-se uma bela crônica. Na verdade, como todos sabem, sabemos e não sabemos quem é Mary. Mary é o nosso mistério travestido de arrojada e impetuosa alma. Ela é bairrista. A magnífica que trafega pelas ruas saudosas de um recente passado. Ela é intensa. Seu bairro flameja quando a vê passar. O povo reivindica o seu belo sorriso, os seus altos tamancos, o seu requebrado balangado, revelando a autenticidade do lado obscuro e sedicioso contra a autoridade local. Mary. Ah! Mary. O seu discurso assume a forma de um tratado antropológico, apresentando-se e ocultando-se simultaneamente. Existe o anacronismo temporal que garante as verdades episódicas de sua natureza efusiva. Sérgio Gerônimo, autor revelador, cáustico, desenha a personagem Mary com pincéis ágeis de um pintor que sabe o que fará com sua obra. Tem requinte nos detalhes e precisão no resgate de imagens autênticas. Mary surge de um mundo poético. Dela temos notícias de cada um de nós, dos nossos segredos, das nossas pequenas histórias não reveladas. A caneta do autor dialoga criativamente nas hilariantes lembranças e consciências, das quais a vida se transforma e gera a peculiar originalidade do novo: o pós-moderno. O poeta atualiza a ficção e a poesia em uma descompromissada prosa poética.
Voilá, Mary Columbus!
Bem-vinda!
É um prazer conhecê-la.
Mozart Carvalho
poeta, em uma das abas do livro


Salve, salve, Sérgio Gerônimo. Como me pede uma opinião sobre seu Mary Columbus, devo de imediato lhe dizer do meu espanto com seu livro. Espanto pela originalidade e pelo passeio implacável dentro da alma carioca. Essa, a alma do Rio, é o que me comove acima de quaisquer outros sentimentos... Você mergulhou dentro de uma realidade que me acompanha por décadas a fio. Gostei de sua ousadia, apreciei sua insolência, me deliciei com suas buscas por veredas insuspeitadas. O Marlenes e Emilinhas, em especial, fez quase arrancar de mim sóbrio soluço... Talvez você não saiba, mas ambas me foram muito próximas, queridas e amaciantes... Ao longo de muito, muito tempo. Também gostei do esboço geral dos poemas, uno e quase indivisível em sua anatomia. Mais não digo, que me falta tempo para ler e reler. Fique certo que me desvaneceu sua sugestão de entregar a este carioca juramentado o fôlego e a paixão do seu trabalho, antes de ser publicado. Abraços um tanto constrangidos por minha curta e insuficiente consideração...
Ricardo Cravo Albin

por e-mail em quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014 18:20

Dono de uma obra fascinante (Profanas & afins, Outras profanas, Conversa proibida, PANínsula, Coxas de cetim e UrbanosEmCausa são apenas parte do todo), o carioca e psicólogo pós-graduado Sérgio Gerônimo é um poeta de vasto conhecimento, coragem e ousadia que se vê em poucos. Escreve com propriedade sobre os mais variados temas da sociedade, fazendo, inclusive, uma crítica social abrangente e bem articulada. Com uma poesia de leitura dinâmica, de fácil compreensão, mas também metafórica (tem uma sensualidade sutil) é necessário estar atento às suas colocações. A cada livro que se lê, abre-se um leque de novas visões de mundo, de minuciosos detalhes do cotidiano que podem passar despercebidos para muitos, menos para um poeta visionário, profundo conhecedor do meio em que vive, o qual descreve com maestria. Editor-chefe da Oficina Editores, fundador e presidente da APPERJ e membro do PEN Clube do Brasil, da UBE/RJ, da Academia Brasileira de Poesia, do SEERJ e da ACLAL (Portugal), Sérgio Gerônimo é, também, incansável divulgador da cultura e da literatura brasileiras.

José Aélio Santos, José Celivaldo Samuel Neto e Moisés Tavares de Oliveira graduandos do Curso de Letras do campus Itabaiana da Universidade Federal de Sergipe, projeto "Poesia Ilustrada" (versões de I a IV), para o livro Olha o poema na escola (poetas contemporâneos ilustrados por alunos de Sergipe e Bahia), org. de Christina Ramalho e Beto Vianna, Aracaju/SE, 2014.



Sérgio Gerônimo,
Parabéns!
Mary Columbus traz a poesia em flashes, com versos livres, ritmo irregular, da mesma forma como viveu a personagem.  Está presente a poesia, na alegria e na tristeza. Para mim o livro é composto de  partes que formam apenas1 poema. Um longo poema. Sugere o grito alegre, triste, desvairado de quem não encontra espaço na sociedade, mas fura esse bloqueio e se realiza de alguma forma.
Assim como a Colombina Mary, outros personagens desfilam no carnaval da vida. Felizes dos que podem reconhecer:
ontem eu fui rainha
Sabendo que a felicidade é feita de momentos, desejo-lhe ótimos momentos, um feliz lançamento, e, o sucesso merecido para um texto que pode ser base de tantas outras formas de linguagem.
Ainda bem, que fui ao primeiro lançamento na Bienal do Livro, porque dessa vez, estarei fora do Rio.
Meu abraço
Celi Luz
Por e-mail: quinta-feira, 19 de maio de 2016, 05:27h